Sabia que não ia ser fácil…e
não foi mesmo.
Depois de ter perdido os meus
pais, infelizmente aos poucos tive que solucionar a desocupação da casa e
finalmente o fechar da porta de uma vez para sempre.
Não esperei que fosse um sentimento de perda tão violento. Mas foi. Foi ter perdido algo que marcou a minha infância , adolescência , onde
cresci e vivi momentos muito felizes,todo aquele espaço , era afinal o refugio
de todas as minhas recordações
Os meus avós, o cheiro das
confecções do Natal, a família à volta da mesa em que a fartura significava a
mesa posta e o amor da família. As brincadeiras com o meu irmão . A amizade dos
vizinhos, os serões em que a televisão era substituída pela conversa e troca de
conhecimentos, enfim, tantas recordações que me é difícil descrever o que sinto .
Já adulta , fiz todas as
tentativas para que ela um dia fosse património da família.
Não consegui.
Passou para propriedade da autarquia o que resultou
muitos entraves.
Ora era um
ou outro motivo…. depois passou para
Património Municipal , e por fim o que me entristece é que conforme as casas vão ficando devolutas, são simplesmente
entaipadas , dando um aspeto á parte antiga e nobre da terra um ambiente triste e desumano
Os presidentes mudam e como
tal mudam as suas opções de governar, este senhor não é natural da
terra e talvez não perceba que estar a descaracterizar a mesma, é destruir Património que identifica os mais
antigos e serve de história para as novas gerações.
Afinal não é nada de novo,
vamos mais uma vez assistir a mais uma zona em que o betão e os interesses
instalados se sobrepõem à vontade dos
municipes.
Como eu gostaria de passar na rua
e ver, a porta entreaberta, roupa
estendida, sentir que a casa ( não sendo
minha ) continuava a ter VIDA.